quinta-feira, 16 de maio de 2013

Teatro: Origem e Evolução




A origem do teatro pode ser remontada desde as primeiras sociedades primitivas, em que acreditava-se no uso de danças imitativas como propiciadores de poderes sobrenaturais que controlavam todos os fatos necessários à sobrevivência (fertilidade da terra, casa, sucesso nas batalhas etc), ainda possuindo também caráter de exorcização dos maus espíritos. Portanto, o teatro em suas origens possuía um caráter ritualístico.
Com o desenvolvimento do domínio e conhecimento do homem em relação aos fenômenos naturais, o teatro vai deixando suas características ritualistas, dando lugar às características mais educacionais. Ainda num estágio de maior desenvolvimento, o teatro passou a ser o lugar de representação de lendas relacionadas aos deuses e heróis.
O teatro ocidental tem sua origem no teatro grego que surgiu através dos ritos em honra de Dionísio, o Deus do Vinho. Nas festas, Dionísio era personificado na forma de um bode, os gregos se fantasiavam com roupas de pele de cabra e folhas de parreira na cabeça, e andavam pelos campos em procissões e cânticos em honra de Dionísio. Nos ritos que eram realizados na cidade, usavam-se ricas indumentárias e as procissões tinham uma característica mais séria.
A origem do nome Tragédia vem desses ritos: a palavra tragédia vem da palavra grega “tragóide”, que significa o canto do bode. Nos primeiros tempos o elemento dominante ainda era o canto e a dança do coro.
A Música era considerada “o mais importante dos ornatos da tragédia”. O canto (melopéia / melopolia) está na raiz da tragédia, que surgiu dos ritos que simbolizavam a morte e o renascimento do deus Dionísio. O canto coral (Ditirambo), a dança e a poesia representada formaram a tragédia já com a forma que conhecemos hoje.
Na Grécia antiga, os festivais anuais em honra ao deus Dionísio (Baco, para os latinos) compreendiam, entre seus eventos, a representação de tragédias e comédias. As primeiras formas dramáticas na Grécia surgiram neste contexto, inicialmente com as canções dionisíacas (ditirambos).
Surgiu também a peça satírica: o conservador Aristófanes cria um gênero sem paralelo no teatro moderno, pois a comédia aristofânica mesclava a paródia mitológica com a sátira política. Todos os papéis eram representados por homens, pois não era permitida a participação de mulheres.
Os escritores participavam, muitas vezes, tanto das atuações como dos ensaios e da idealização das coreografias. O espaço utilizado para as encenações, em Atenas, era apenas um grande círculo. Com o passar do tempo, grandes inovações foram sendo adicionadas ao teatro grego, como a profissionalização, a estrutura dos espaços cênicos (surgimento do palco elevado) etc. Os escritores dos textos dramáticos cuidavam de praticamente todos os estágios das produções.
Nesse mesmo período, os romanos já possuíam seu teatro, grandemente influenciado pelo teatro grego, do qual tirou todos os modelos. Nomes importantes do teatro romano foram Plauto e Terêncio. Roma não possuiu um teatro permanente até o ano de 55 a.C., mas segundo é dito, enormes tendas eram erguidas, com capacidade para abrigarem cerca de 40.000 espectadores.
Apesar de ter sido totalmente baseado nos moldes gregos, o teatro romano criou suas próprias inovações, com a pantomima, em que apenas um ator representava todos os papéis, com a utilização de máscara para cada personagem interpretado, sendo o ator acompanhado por músicos e por coro.
Com o advento do Cristianismo, o teatro não encontrou apoio de patrocinadores, sendo considerado pagão. Desta forma, as representações teatrais foram totalmente extintas.
O renascimento do teatro se deu, paradoxalmente, através da própria igreja, na Era Medieval. O renascimento do teatro se deveu à representação da história da ressurreição de Cristo. A partir deste momento, o teatro era utilizado como veículo de propagação de conteúdos bíblicos, tendo sido representados por membros da igreja (padres e monges). O teatro medieval religioso entrou em franco declínio a partir de meados do século XVI.
Desde o século XV, trupes teatrais agregavam-se aos domínios de senhores nobres e reis, constituindo o chamado teatro elisabetano. Os atores - ainda com a participação exclusiva de atores homens - eram empregados pela nobreza e por membros da realeza. O próprio Shakespeare, assim como o ator original de Otelo e Hamlet, Richard Burbage, eram empregados pelo Lorde Chamberlain, e mais tarde foram empregados pelo próprio rei.
Na Espanha, atores profissionais trabalhavam por conta própria, sendo empresariados pelos chamados autores de comédia. Anualmente, as companhias realizavam festivais religiosos, e sobretudo no século XVII, as representações nas cortes espanholas encontravam-se fortemente influenciadas pelas encenações italianas. Foi mais notadamente na Itália que o teatro renascentista rompeu com as tradições do teatro medieval. Houve uma verdadeira recriação das estruturas teatrais na Itália, através das representações do chamado teatro humanista. Os atores italianos deste, basicamente, eram amadores, embora já no século XVI tenha havido um intenso processo de profissionalização dos atores, com o surgimento da chamada "Commedia Dell'Arte", em que alguns tipos representados provinham da tradição do antigo teatro romano: eram constantes as figuras do avarento e do fanfarrão.
Devido às muitas viagens que as pequenas companhias de Commedia Dell'Arte empreendiam por toda a Europa, este gênero teatral exerceu grande influência sobre o teatro realizado em outras nações. Um dos aspectos marcantes nesse teatro foi a utilização de mulheres nas representações, fato que passou a se estender para os outros países.
No século XVII, o teatro italiano experimentou grandes evoluções cênicas, muito das quais já o teatro como atualmente é estruturado. Muitos mecanismos foram adicionados à infra-estrutura interna do palco, permitindo a mobilidade de cenários e, portanto, uma maior versatilidade nas representações.
Foi a partir do século XVII que as mulheres passaram a fazer parte das atuações teatrais na Inglaterra a na França. Na Inglaterra, os papéis femininos eram antes representados por jovens atores aprendizes.
           
Ao cabo do século XVIII, as mudanças na estrutura dramática das peças foram reflexos de acontecimentos históricos como a Revolução Industrial e a Revolução Francesa. Surgiram formas como o melodrama, que atendia ao gosto do grande público. Muitos teatros surgiram juntamente com esse grande público.
No século XIX as inovações cênicas e infra-estruturais do teatro tiveram prosseguimento. O teatro Booth de Nova York já utilizava os recursos do elevador hidráulico. Os recursos de iluminação também passaram por muitas inovações e experimentações, com o advento da luz a gás. Em 1881, o Savoy Theatre de Londres foi o primeiro a utilizar iluminação elétrica.
Os cenários, assim como o figurino, procuravam reproduzir situações históricas com um realismo bastante apurado. As sessões teatrais, em que outrora encenavam-se várias peças novas ou antigas, foram passando a ser utilizadas apenas para a encenação de uma peça. Todas as inovações pelas quais o teatro foi passando exigiram o surgimento da figura do diretor, que trata de todos os estágios artísticos de uma produção.
Ao final do século XIX uma série de autores passaram a assumir uma postura de criação bastante diversa da de seus predecessores românticos, visando a arte como veiculo de denúncia da realidade. Escritores como Henrik Ibsen e Emile Zola foram partidários dessa nova tendência, cada qual com sua visão particular.
O teatro do século XX caracteriza-se pelo ecletismo e pela grande quebra de antigas tradições. O "design" cênico, a direção teatral, a infra-estrutura e os estilos de interpretação não se vincularam a um único padrão predominante. Entretanto, pode-se dizer que as idéias de Bertolt Brecht  foram as que mais influenciaram o teatro moderno. Segundo dizia Brecht, o ator deve manter-se consciente do fato que está atuando e que jamais pode emprestar sua personalidade ao personagem interpretado. A peça em si, por sua vez, assim como a mensagem social nela contida, deveria ser o supremo objeto de interesse. Para tanto, os espectadores deveriam ser constantemente lembrados que estão vendo uma peça teatral e que, portanto, não identifiquem os personagens como figuras da vida real, pois neste caso a emoção do espectador obscureceria seu senso crítico.
Dado o seu temor no caso dos atores mostrarem-se incapazes de desempenhar os papéis com tanta imparcialidade, Brecht utilizou vários recursos que libertariam as encenações de quaisquer ilusões de realidade que poderiam ser criadas nas mentes dos espectadores. A cenografia se dirigia a muitos efeitos não-realísticos, assim como as próprias atividades de mudança de palco podiam ser vistas pelo público. No teatro contemporâneo tanto as tradições realistas como o não realistas convivem simultaneamente.
No Brasil, o teatro tem sua origem com as representações de catequização dos índios. As peças eram escritas com intenções didáticas, procurando sempre encontrar meios de traduzir a crença cristã para a cultura indígena. Uma origem do teatro no Brasil se deveu à Companhia de Jesus, ordem que se encarregou da expansão da crença pelos países colonizados. Os autores do teatro nesse período foram o Padre José de Anchieta e o Padre Antônio Vieira. As representações eram realizadas com grande carga dramática e com alguns efeitos cênicos, para a maior efetividade da lição de religiosidade que as representações cênicas procuravam inculcar nas mentes aborígines. O teatro no Brasil, neste período, estava sob grande influência do barroco europeu.

O TEATRO HOJE

Dá para perceber que, com tantas influências, o teatro de hoje é uma arte muito rica, muito misturada. Existe a ópera, o teatro de bonecos, o teatro-dança, os musicais, o teatro de rua, o teatro feito em espaços alternativos (como hospitais, presídios), enfim, uma mistura daquelas!
Quando apareceu o cinema, há mais de cem anos, muita gente previu o fim do teatro. Falavam que o cinema iria substituí-lo, porque podia criar histórias com muito mais semelhança com a realidade. Mas isso não aconteceu.
Quem pensava assim não percebeu que o grande barato do teatro é o fato de ele ser uma obra de arte viva, ou seja, depende da presença de quem atua e de quem assiste. O teatro é fascinante, pois é um jogo da imaginação. Todo mundo está cansado de saber que aquele cenário lá no fundo não é uma floresta... e daí? Naquele momento e naquele lugar, ele vai ser uma floresta para aquelas pessoas que estão participando. Quando a gente vai ao teatro, não quer ver a cena "certinha" e que nunca muda. A gente quer ver o improviso, o novo, o diferente que vive nos atores e nos olhos de cada platéia.

Fonte:
http://liriah.teatro.vilabol.uol.com.br/historia/aorigemeevolucaodoteatro.htm
http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/historia-do-teatro/historia-do-teatro
http://casaxv.blogspot.com/2009/08/antiguidade-classica.html

terça-feira, 7 de maio de 2013

Chiquinha Gonzaga - Obras



A avezinha (c/ Mário Monteiro) • A baiana dos pastéis • A bela jardineira, valsa • A bota do diabo (c/ Avelino de Andrade) • A brasileira (c/ José Sena) • A Corte na roça (c/ Francisco Sodré) • A desfilada dos mortos (c/ Paulo Araújo) • A fiandeira (c/ Maria Cunha) • A filha da noite • A guitarra (c/ Raul Pederneiras) • A Jandira (c/ Ruben Gil e Alfredo Breda) • A Juriti (c/ Viriato Correia) • À Memória do General Osório • A mulatinha (c/ Patrocínio Filho) • A noite • A noiva • À Nossa Senhora das Dores • A peroba (c/ Antônio Quintiliano) • A redentora • A República • A sertaneja (c/ Viriato Correia) • A sorte grande (c/ A. Armando) • Ada • Agnus Dei • Água do Vintém • Aguará (Graça Vermelha) • Aguará • Ai, morena • Ai, que broma! (c/ Ernesto Matoso) • Alegre-se, viúva • Alerta! • Amapá • Amarguras (c/ Paulo Araújo) • Amendoim • Amor (c/ João de Deus Falcão) • Angá (c/ Antoinette) • Angá-catu-rama • Angelitude (c/ C. Gonzaga Filho) • Animatógrafo • Anita • Aracê (O dia sai) • Araribóia • Arcádia • Ari (Filha do céu) • As pombas (c/ Raimundo Correia) • As três garças (c/ Luís Galhardo) • As tricanas de Coimbra • Atraente • Aurora • Ave-Maria • Balada • Barcarola • Beijos (c/ Luís Murat e Alfredo de Sousa) • Beijos do céu (Um sonho) (c/ Raimundo Correia) • Bela Rosa (c/ Cardoso Júnior) • Bella fanciulla Io t'amo • Bijou • Bionne • Borboleta • Brasileira • Burro de Carga • Cá e lá, tango • Cá por cousas (c/ Oscar Pederneiras) • Camila • Cananéia • Canção brasileira (c/ Carlos Galhardo) • Canção de Lauro (c/ Viriato Correia) • Candomblé (c/ Augusto de Castro) • Caobimpará (Mar azul) • Caramuru • Carijó • Carioca • Cariri • Carlindo • Carlos Gomes • Carmencita • Carnavalesco (c/ Luís Peixoto e C. Cordeiro) • Carta a Zizinha (c/ Filinto Almeida) • Casa de caboclo (c/ Luís Peixoto) • Catita • Ceci • Coco velho • Colégio de senhoritas (Os pombos) (c/ Paulo Araújo) • Compensação (c/ Orlando Teixeira) • Conspiradores • Cora (c/ Furtado Coelho) • Corcundinha (c/ Viriato Correia) • Corta-jaca • Cuautemoc (c/ Avelino de Andrade) • Cubanita • Dama de ouros • Dança brasileira • Dança das fadas • Dança nº 1 • Dança nº 2 • Day-break • Democrático • Desalento • Desejos, com Esculápio • Deus de fogo • Diabinho • Diálogo • Diário de Notícias • Djanira • Doce fado • Dona Adelaide (c/ Patrocínio Filho) • Duas horas (Oh mon étoile) • Dueto de amor • Duquesne • É enorme • Eis a sedutora • Elvira (c/ Bruno Nunes) • Em guarda • Escandanhas/Mulata (c/ Luís Peixoto e Carlos Bittencourt) • Espanha e Brasil (c/ Patrocínio Filho) • Estrela d'Alva (c/ Mário Monteiro) • Eu já volto • Eu te adoro • Eu te amo • Evoé • Faceira • Faceira, escuta • Fado de Coimbra • Falena • Fani • Fantasia • Feijoada do Brasil • Fênix • Feno de Atkinsons • Festa de São João • Fogo-foguinho (c/ Viriato Correia) • Foi um sonho (c/ Ernesto de Sousa) • Forrobodó (c/ Luís Peixoto e Carlos Bittencourt) • Gaúcho (Corta-jaca) • Genéia (c/ Paulo Araújo) • General Osório • Gondoleira • Gonza (Manobras do amor) (c/ Osório Duque Estrada) • Grata esperança • Gruta das flores • Guaianases • Guasca • Há alguma novidade? (c/ Moreira Sampaio) • Habanera • Harmonia das esferas • Harmonias do coração • Heloísa • Heróica • Hip • Iaiá fazendo etc. e tal (c/ Almeida Júnior) • Iara • Invocação • Ismênia • Itararé • Jagunço • Janiquinha • Júlia • Juraci • La violette • L'Ange du Seigneur • Laurita • Leontina • Lídia (c/ Batista Cardoso Júnior) • Linda morena • Lua branca • Machuca (c/ Patrocínio Filho) • Manhãs de amor • Marcha do cordão • Meditação • Meia-noite • Menina faceira • Minha pátria • Minho em festa (c/ Cândido Costa) • Morena (c/ Guerra Junqueiro) • Morena, morena (c/ Ernesto de Sousa) • Morgadinha • Mulher-homem • Musiciana • Não insistas, rapariga • Não morreu • Não se impressione (c/ Luís Peixoto e Carlos Bittencourt) • Não sonhes (c/ Lutegarda Caires) • Não venhas (c/ Batista Coelho e Batista Cardoso Júnior) • Noivado (c/ Lúcio de Mendonça) • Nossa Senhora das Dores • Nu e cru (c/ Antônio Quintiliano) • Ó abre-alas • O bandolim • O beijo (c/ J. Brito) • O Boulevard da Imprensa • O coió (c/ Luís Ribeiro) • O cozinheiro • O esfolado (c/ Raul Pederneiras e Vicente Reis) • O mar (c/ Holanda Cunha) • O namoro (c/ Frederico Júnior ) • O padre Amaro • O perdão (c/ Avelino Andrade) • O que é - simpatia (c/ Casimiro de Abreu) • O sertanejo (c/ Antônio Quintiliano) • Oh! Não me iludas • Olhos irresistíveis • Ortruda • Os mineiros • Os namorados da lua • Os oito batutas • Os olhos dela • Os passos no choro • Os portugueses (c/ Batista Cardoso Júnior) • Os talheres (c/ Antônio Quintiliano) • Palaciana • Para a cera do Santíssimo (c/ Artur Azevedo) • Paraguaçu • Pedrinho (c/ Batista Cardoso Júnior) • Peho-Pequim • Piu-dudo (Beija-flor) • Plangente • Platina • Poesia e amor (c/ Casimiro de Abreu) • Polca militar • Por que choras (c/ Vítor Cunha) • Prece à Virgem • Prelúdio • Primeira gavota • Promessa (c/ Paulo Araújo) • Psiquê • Pudesse esta paixão (c/ Álvaro Colás) • Radiante • Redes ao mar (c/ Mário Monteiro) • Robertinha • Roda, ioiô (c/ Erneto de Sousa) • Romeu e Julieta (Mário e Beatriz) (c/ Renato Viana) Rondolini-rondolinão (c/ Oscar Pederneiras) • Rosa • Sabiá da mata • Saci-pererê • Sada • Santa (c/ Alberto de Oliveira) • São Paulo • Satã • Saudade • SBAT • Se o ferreta está de veneta • Sedutor • Sereia (c/ Aluísio de Azevedo) • Serenata (c/ Aluísio de Azevedo) • Serenata • Si fuera verdad • Só na flauta • Só no choro • Soberano • Sonhando • Sultana • Suspiro • Tambiquerê • Tamoio • Tango brasileiro • Tango característico • Tapuia • Te amo • Techi • Teu sorriso • Teus olhares (c/ Avelino Andrade) • Timbira • Tim-tim • Toujours et encore • Trigueira • Tuniquins • Tupã • Tupi • Tupiniquina • Um fado • Uma página triste • Valquíria • Vamos à missa • Vida ou morte • Vilancete (c/ Haddock Lobo) • Vinde! Vinde! • Viva la gracia • Viva o carnaval • Viver e folgar (Filha do Guedes) • Vou dar um banho em minha sogra • Xi! • Yo te adoro!

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Fonte : http://www.dicionariompb.com.br/

Chiquinha Gonzaga



Francisca Edwiges Neves Gonzaga, mais conhecida como Chiquinha Gonzaga (Rio de Janeiro, 17 de outubro de 1847 — 28 de fevereiro de 1935) foi uma compositora, pianista e regente brasileira.
Foi a primeira pianista de choro, autora da primeira marcha carnavalesca ("Ô Abre Alas", 1899), introdutora da música popular nos salões elegantes, fundadora da primeira sociedade protetora dos direitos autorais e também a primeira mulher a reger uma orquestra no Brasil. No Passeio Público do Rio de Janeiro, há uma herma em sua homenagem, obra do escultor Honório Peçanha. Em maio de 2012 foi sancionada a Lei 12.624 que instituiu o Dia Nacional da Música Popular Brasileira, a ser comemorado no dia de seu aniversário.
Era filha de José Basileu Gonzaga, general do Exército Imperial Brasileiro e de Rosa Maria Neves de Lima, uma negra muito humilde. Apesar de opiniões contrárias da família, casou-se após o nascimento da menina Francisca. Chiquinha Gonzaga foi educada numa família de pretensões aristocráticas (seu padrinho era Luís Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias). Ela conviveu bastante com a rígida família do seu pai. Fez seus estudos normais com o Cônego Trindade, um dos melhores professores da época, e musicais com o Maestro Lobo, um fenômeno da música. Desde cedo, frequentava rodas de lundu, umbigada e outros ritmos oriundos da África, pois nesses encontros buscava sua identificação musical com os ritmos populares que vinham das rodas dos escravos.
Inicia, aos 11 anos, sua carreira de compositora com uma música natalina, Canção dos Pastores. Aos 16 anos, por imposição da família do pai, casou-se com Jacinto Ribeiro do Amaral, oficial da Marinha Imperial brasileira e logo engravidou. Não suportando a reclusão do navio onde o marido servia, (já que ele passava mais tempo trabalhando no navio do que com ela) e as ordens dele para que não se envolvesse com a música, além das humilhações que sofria e o descaso dele com seu sonho, Chiquinha, após anos de casada separou-se, o que foi um escândalo na época.
Leva consigo somente o filho mais velho, João Gualberto. O marido, no entanto não permitiu que Chiquinha cuidasse dos filhos mais novos: Sua outra filha, Maria do Patrocínio e do filho, o menino Hilário, ambos frutos daquele matrimônio. Ela lutou muito para ter os 3 filhos juntos, mas foi em vão. Sofreu muito com a separação obrigatória dos 2 filhos imposta pelo marido e pela sociedade preconceituosa daquela época, que impunha duras punições à mulher que se separava do marido.
Chiquinha Gonzaga aos 78 anos
Anos depois, em 1867, reencontrou seu grande amor do passado, um namorado de juventude, o engenheiro João Batista de Carvalho, com quem teve uma filha: Alice Maria. Viveu muitos anos com ele, mas Chiquinha não aceitava suas traições. Separa-se dele, e mais uma vez perde uma filha. João Batista não deixou que Chiquinha criasse Alice, ficando com a guarda da filha. Apesar disso tudo, Chiquinha foi muito presente na vida de todos os seus quatro filhos, mesmo só criando um deles. Ela sempre estava acompanhando a vida deles e tendo contato.
Ela, então, passa a viver como musicista independente, tocando piano em lojas de instrumentos musicais. Deu aulas de piano para sustentar o filho João Gualberto e mantê-lo junto de si, sofrendo preconceito por criar seu filho sozinho. Passando a dedicar-se inteiramente a música, onde obteve grande sucesso, sua carreira aumentou e ela ficou muito famosa, tornando-se também compositora de polcas, valsas, tangos e cançonetas. Antes, porém, uniu-se a um grupo de músicos de choro, que incluía ainda o compositor Joaquim Antônio da Silva Callado, apresentando-se em festas. A estreia como compositora se deu em 1877, com a polca Atraente, composta de improviso durante roda de choro em casa do compositor Henrique Alves de Mesquita e publicada pela Viúva Canongia, Grande Estabelecimento de Pianos e Músicas.
Em 1889 promoveu e regeu, no Teatro São Pedro de Alcântara, um concerto de violões, instrumento estigmatizado àquela época. Foi uma ativa participante do movimento pela abolição da escravatura, vendendo suas partituras de porta em porta a fim de angariar fundos para a Confederação Libertadora. Com o dinheiro arrecadado na venda de suas músicas comprou a alforria de José Flauta, um escravo músico. Chiquinha Gonzaga também participou da campanha republicana e de todas as grandes causas sociais do seu tempo. Já era uma artista consagrada quando compôs, em 1899, a primeira marcha- rancho, Ó Abre Alas, verdadeiro hino do carnaval brasileiro.
Em setembro de 1917, após anos de campanha, liderou a fundação da SBAT, sociedade pioneira na arrecadação e proteção dos direitos autorais.
Aos 52 anos, após muitas décadas sozinha, mas vivendo feliz com os filhos e a música, conheceu João Batista Fernandes Lage, um jovem cheio de vida e talentoso aprendiz de musicista, por quem se apaixonou. Ele também se apaixonou perdidamente por essa mulher madura que tinha muito a ensinar-lhe sobre música e sobre a vida. A diferença de idade era muito grande e causaria mais preconceito e sofrimento na vida de Chiquinha, caso alguém soubesse do namoro. Ela tinha 52 anos e João Batista, apenas 16. Temendo o preconceito, fingiu adotá-lo como filho, para viver o grande amor. Esta decisão foi tomada para evitar escândalos em respeito aos seus filhos e à relação de amor pura que mantinha com João Batista, da qual pouquíssimas pessoas na época entenderiam, além de afetar sua brilhante carreira. Por essa razão também, Chiquinha e João Batista Lage, ou Joãozinho, como carinhosamente o chamava, mudaram-se para Lisboa, em Portugal, e foram viver felizes morando juntos por alguns anos longe do falatório da gente do Rio de Janeiro. Os filhos de Chiquinha, no começo, não aceitaram o romance da mãe, mas depois viram com naturalidade. João Batista Lage aprendeu muito com Chiquinha sobre a música e a vida. Eles retornaram ao Brasil sem levantar suspeita nenhuma de viverem como marido e mulher. Chiquinha nunca assumiu de fato seu romance, que só foi descoberto após a sua morte através de cartas e fotos do casal. Aos 85 anos de idade escreveu a última partitura, Maria, com libreto de Viriato Corrêa. Sua obra reúne dezenas de partituras para peças teatrais e centenas de músicas nos mais variados gêneros: polca, tango brasileiro, valsa, habanera, schottisch, mazurca, modinha etc. Ela morreu aos 87 anos de idade, ao lado de João Batista Lage, seu grande amigo, parceiro e fiel companheiro, seu grande amor, em dia 28 de fevereiro de 1935, no Rio de Janeiro, quando começava o Carnaval.

DADOS CRONOLÓGICOS

1847 - Nasce no Rio de janeiro a 17 de outubro.
1863 - Casa-se com Jacinto Ribeiro do Amaral.
1864 - Nasce seu primeiro filho: João Gualberto.
1865 - Nasce sua filha Maria.
1866 - Embarca com o marido no navio São Paulo, por este fretado, que transporta tropas para a Guerra do Paraguai.
1869 - É homenageada pelo compositor Joaquim Antônio Callado com a polca "Querida por todos".
1870 - Nasce seu terceiro filho, Hilário.
1875 - Nasce Alice, sua filha com o engenheiro João Batista de Carvalho. Sofre processo de divórcio movido pelo marido no Tribunal Eclesiástico.
1877 - Primeira obra editada: a polca Atraente, que em nove meses chega à 15ª edição.
1879 - Começa a instrumentar, com autodidatismo.
1880 - Anuncia-se publicamente como professora de várias matérias.
1883 - Tentativas frustrada de musicar libreto de Arthur Azevedo (a produção teatral não aceita uma mulher como autora da música).
1885 - Estreia como maestrina.
1888 - Extinção da escravidão no Brasil, pela qual durante tantos anos Chiquinha Gonzaga lutara.
1889 - Proclamação da República, outro anseio da compositora.
1890 - Nasce a primeira neta.
1891 - Falecimento do pai.
1897 - Falecimento de Rosa, sua mãe.
1899 - Carnaval. Compõe Ó Abre Alas. Conhece João Batista, jovem português de 16 anos que seria seu companheiro até o fim da vida.
1902 - Viaja para a Europa.
1904 - Segunda viagem à Europa.
1906 - Instala-se em Portugal.
1909 - Retornos ao Brasil.
1911 - Inicia intensa atividade musicando peças teatrais para os espetáculos por sessões dos cineteatros da Praça Tiradentes (RJ).
1912 - Estreia Forrobodó, seu maior sucesso teatral.
1913 - Deflagra campanha em defesa pelo direito autoral dos compositores e teatrólogos.
1914 - Lançamento, com grande sucesso, do tango Corta-Jaca.
1917 - Participa da fundação da Sociedade Brasileira de Autores Teatrais.
1919 - Grande êxito da peça de costumes regionais Juriti.
1925 - Recebe homenagens consagradoras da SBAT e reconhecimento do país inteiro.
1928 - Seu filho João Gualberto morre em São Paulo.
1933 - Aos 85 anos, escreve sua última partitura para teatro: Maria.
1934 - Falecimento da filha Maria.
1935 - Morre no dia 28 de fevereiro. Dois dias depois realiza-se o primeiro concurso oficial das escolas de samba.


Fonte:
http://www.chiquinhagonzaga.com/biografia.html
http://pt.wikipedia.org/wiki/Chiquinha_Gonzaga
Verbete biográfico e dados cronológicos retirados do livro "Chiquinha Gonzaga: uma história de vida", escrito por Edinha Diniz, em nova edição revista e atualizada. Jorge Zahar Editora, 2009.