sábado, 23 de março de 2013

A Liberdade Guiando o Povo - Eugène Delacroix



“A Liberdade Guiando o Povo”, de Delacroix, pintada em 1830.

A obra “A Liberdade Guiando o Povo” foi pintada por Eugène Delacroix no mesmo ano em que ocorreu o conflito que a inspirou: a Revolução Francesa de 1830. Apesar de simpatizar com as ideias liberais, Delacroix não participou efetivamente do levante.

Contexto Histórico

Após a queda de Napoleão Bonaparte, as principais potências europeias reuniram-se na chamada Santa Aliança, visando manter e resguardar a monarquia absolutista. Assim, o trono francês é restituído a família Bourbon, na figura do rei Luís XVIII. Após Luis XVIII, assumiu Carlos X, que toma uma série de medidas bastante impopulares, como suprimir a liberdade de imprensa e dissolver a Câmera dos Deputados. Em 27, 28 e 29 de julho de 1830, o povo francês e a burguesia realizam uma série de levantes e iniciam uma guerra civil. Chamados “os três dias gloriosos”, este é o conflito retratado por Delacroix em “A Liberdade Guiando o Povo”.
Carlos X abdica do trono, e em seu lugar assume Luís I, da casa de Órleans, uma ramo menor da Casa Bourbon. Luís I ficaria conhecido como o Rei Burguês. É o último rei a governar a França, tendo abdicado em 1848.

Análise da Obra

Destaques da obra “A Liberdade Guiando o Povo”:

• A liberdade: representada como uma deusa clássica, sinônimo de virtude e eternidade. No entanto, seus traços robustos são comuns ao povo francês. Empunha uma arma moderna – um mosquete.

• Os cadáveres: os mortos são membros da guarda de elite do rei. O realismo dos cadáveres é inspirado em obras de Antoine-Jean Gros, pintor que Delacroix admirava.

• O homem sem calças: outro fator que torna a obra complexa e ambígua é a presença deste cadáver desnudado, um homem desprovido de sua dignidade. Suas roupas foram furtadas, e provavelmente pelos revoltosos. Outros personagens do quadro apresentam-se com objetos roubados dos cadáveres. Assim, mesmo entre aqueles que lutam pela liberdade, há atitudes censuráveis. Delacroix não se esforça para “higienizar” o conflito ou torna-lo mais nobre. A guerra, em si, parece-lhe indigna.

• As bandeiras: duas bandeiras são retratadas no quadro, uma empunhada pela liberdade, e outra sobre a Catedral de Notre Dame. A bandeira tricolor foi utilizada na Revolução Francesa de 1789 e nas guerras de Napoleão. Após a derrota deste em Waterloo, a bandeira não foi mais utilizada. O regresso deste símbolo é carregado de emoção, como se o povo reconquistasse o seu orgulho.

• O campo de batalha: o centro da revolução de 1830 foi a Ponte d ‘Arcole, e provavelmente este é o cenário da pintura. Porém, nenhum posto de observação permite esta vista de Notre Dame. Como outros pintores românticos, Delacroix abdica de uma fidelidade literal aos fatos em prol de um maior efeito dramático. Converte acontecimentos contemporâneos em imagens míticas.

• A composição: é uma composição clássica, piramidal, em que a liberdade ocupa o vértice da pirâmide. O mosquete com baioneta que a liberdade empunha cria uma linha paralela com a arma segurada pela criança. No restante do quadro, várias linhas diagonais trazem dinamismo à composição.

• As cores: as cores vivas da bandeira auxiliam o destaque para a mulher que simboliza a liberdade. Nota-se que o vermelho da bandeira está sobre o céu azul, o que o salienta ainda mais. As cores se repetem nas roupas do trabalhador aos pés da liberdade. As vestes da liberdade são pintadas em um tom mais claro do que aqueles encontrados no restante da pintura, facilitando o sentido de leitura.

• A luz: Delacroix dominava a técnica do chiaroscuro. Estes fortes contrastes de luz e sombra conferem maior dramaticidade à cena. Na paisagem, a luz do entardecer se mistura a fumaça dos canhões, dissolvendo-se em um brilho marcante.

• A pincelada: as pinceladas de Delacroix são visíveis na tela, o que contraria as regras acadêmicas que determinam que a pincelada deve ser “invisível”.

Ficha Técnica

A Liberdade Guiando o Povo
Autor: Eugène Delacroix
Ano: 1830
Técnica: óleo sobre tela
Tamanho: 260cmx325cm
Museu: Museu do Louvre, Paris

A obra “A Liberdade Guiando o Povo”, pintada por Eugène Delacroix, artista do romantismo francês, homenageia a revolução francesa de 1830. Delacroix não participou do levante. Na verdade, permaneceu em seu apartamento, com medo de sair às ruas de Paris. Para realizar “A Liberdade Guiando o Povo”, é provável que tenha se inspirado em gravuras do conflito, especialmente no trabalho de Nicolas Charlet.
Delacroix pintou “A Liberdade Guiando o Povo” rapidamente, em pouco mais de três meses, logo após a revolução de 1830. A obra foi exposta no Salão de 1831. Apesar do tom grandiloquente próprio das pinturas do romantismo, certos detalhes de “A Liberdade Guiando o Povo” constrangeram o público da época.
As pinturas de guerra eram, comumente, apresentadas de forma mais “asséptica” do que na pintura de Delacroix. Em “A Liberdade Guiando o Povo”, a sujeira e fumaça presentes no quadro não ocultam características desonrosas do conflito: o homem sem calças, desprovido de dignidade, e os objetos furtados da guarda real pelos revolucionários – a boina do homem à esquerda ou a bolsa do rapaz empunhando as pistolas, à direita da composição.
“A Liberdade Guiando o Povo” foi adquirida pelo Estado francês por 3 mil francos e devolvida ao artista, que a deixou na casa de campo de uma tia. Durante muito tempo, evitou-se expor “A Liberdade Guiando o Povo” publicamente. Foi somente em 1874 que o quadro foi adquirido pelo Louvre, e exposto com honrarias.



Fonte:
http://abstracaocoletiva.com.br/2013/03/01/liberdade-guiando-o-povo-tema/
http://abstracaocoletiva.com.br/2012/11/03/analise-liberdade-guiando-o-povo-delacroix/
http://abstracaocoletiva.com.br/2013/03/01/liberdade-guiando-o-povo-ficha-tecnica/

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